novelos soltos, emaranhados, organizados, escondidos, fiapos da vida......

novelos soltos, emaranhados, organizados, escondidos, fiapos da vida......
convido-os a desenrolar alguns fios reais e ficcionais

sábado, 9 de agosto de 2014

FICÇÃO - Liberdade (Humberto Santos)

Liberdade, não significa poder fazer qualquer coisa, a despeito dos sentimentos de quem nos cerca.
Liberdade, é poder privar-se de magoar quem se ama!
Humberto Santos




REAL - Antologia de contistas do Paraná

 Geralmente me espanto quando sei que há leitores de meus escritos. Publiquei meu primeiro livro em 2010 (Novelos Nada Exemplares). Em 2012 saíram cinco contos em uma coletânea (Então, é isso?). Para 2014 eu publicaria mais um livro (mas perdi um romance e um livro de contos por causa de problemas no HD - não consegui recuperar). Porém tive a grata surpresa desta Antologia. Espero poder publicar algo em 2015 ou 2016. Agradeço a várias pessoas. Mas tenho que destacar uma: o meu editor. Que leu e acreditou em meu potencial: Antonio Moura, de Londrina. Valeu!  


30/07/2014

Biblioteca Pública lança antologia com 48 contistas do Paraná

Organizada pelo escritor Luiz Ruffato, coletânea reúne prosadores de várias épocas, nascidos ou radicados em várias regiões do Estado 

A presença de grandes contistas sempre foi marcante na literatura paranaense. A publicação da antologia 48 Contos Paranaenses, editada pela Biblioteca Pública do Paraná, por meio do Núcleo de Edições da Secretaria de Estado da Cultura (Seec), traz ao leitor um painel do que foi produzido no gênero desde a emancipação do Estado, em 1853. Os livros têm tiragem de mil exemplares, que serão distribuídos gratuitamente para todas as bibliotecas públicas do Paraná.

Organizado pelo escritor Luiz Ruffato, leitor atento ao que acontece no Brasil, o livro mostra a força do conto local ao selecionar prosadores cuja característica em comum mais evidente é a pluralidade de vozes. Dos autores do fim do século XIX aos escritores do presente, uma gama imensa de temas e estilos se apresenta.

Da prosa mais afeita a experimentações, com ênfase na linguagem — uma da marcas da literatura no Paraná —, até histórias cuja maior preocupação é arrebatar o leitor a partir de um enredo instigante, de estruturas mais tradicionais, 48 contos paranaenses é um mosaico amplo que reúne quase três séculos de escrita literária no Estado.

“A coletânea comprova a força e a importância da produção literária paranaense no cenário nacional. Sua principal marca é a riqueza e a pluralidade de vozes e estilos literários, resgatando autores esquecidos e apresentando novos contistas paranaenses”, diz Rogério Pereira, diretor da Biblioteca Pública da Paraná.

Ao longo do livro, o leitor poderá contrastar o estilo e as preocupações estéticas de diversas escolas e movimentos literários. De pioneiros como Andrade Muricy, Jayme Balão Junior e Nestor Victor aos nomes que repercutiram nacionalmente nas últimas décadas, como Dalton Trevisan, Wilson Bueno e Manoel Carlos Karam, entre muitos outros — inclusive autores da novíssima geração.

O organizador da antologia, Luiz Ruffato, lembra que o Paraná é hoje, ao lado de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul “um dos mais importantes polos de produção da literatura brasileira”.

“Para além de oferecermos, neste livro, um conjunto de contos que têm em comum o fato de os autores terem nascido no Paraná ou para o Paraná terem migrado, colocamos à disposição, na verdade, uma gama de escritores, que, cada um à sua maneira, ajudam a construir o imaginário brasileiro dos últimos cento e poucos anos. Cabe ao leitor escolher, entre tantos, aqueles que melhor dialogam com suas próprias experiências”, diz.

48 contistas paranaenses: Aluísio Ferreira de Abreu, Andrade Muricy, Antonio Cescato, Assionara Souza, Carlos Machado, Caetano Galindo, Cezar Tridapalli, Cristovão Tezza, Dalton Trevisan, David Gonçalves, Ernani Buchmann, Fábio Campana, Guido Viaro, Jayme Balão Junior, Jair Ferreira dos Santos, José Cruz Medeiros, José Marins, Júlio Damásio, Júlio Perneta, Luci Collin, Lucio Ferreira, Luiz Andriloli, Luís Henrique Pellanda, Luiz Felipe Leprevost, Manoel Carlos Karam, Marcio Renato dos Santos, Mário Araújo, Marco Cremasco, Miguel Sanches Neto, Nestor Victor, Nilson Monteiro, Newton Sampaio, Oscar Nakassato, Otávio Duarte, Otto Leopoldo Winck, Paulo Sandrini, Paulo Venturelli, Regina Benitez, Reinoldo Atem, Renato Bittencourt Gomes, Roberto Gomes, Roberto Muggiati, Rocha Pombo, Sérgio Rubens Sossélla, Susan Blum, Thiago Tizzot, Wilson Bueno, Wilson Rio Apa.


Serviço:
Livro:
48 contos paranaenses
Organização e prefácio: Luiz Ruffato
390 páginas
Selo Biblioteca Paraná
Uma publicação da Biblioteca Pública do Paraná, distribuída gratuitamente para bibliotecas públicas de todo o Estado (os livros não serão vendidos)
Mais informações: (41) 3221-4917


Para saber mais:
http://www.bpp.pr.gov.br/modules/noticias/article.php?storyid=549&tit=Biblioteca-Publica-lanca-antologia-com-48-contistas-do-Parana
http://www.aen.pr.gov.br/modules/noticias/article.php?storyid=81446

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

REAL - Um sonho

Eu tive um sonho.
Esta noite eu tive um sonho.
A vantagem de ficar com gripe e febre é que tenho MUITOS sonhos.
Sonhos estranhos, mas lúcidos.

Estava em um local mais seco (será por causa do nariz trancado?), com mais pó, como se fosse um deserto. Um sol forte nos chicoteava junto com um fino vento quente. Não havia grama, nenhum verde, só tons de terra seca. Casas meio destruídas (como a Palestina em guerra mostrada na TV), mas eu não estava na Palestina.
Um rapaz magro, com roupas claras (na medida do possível, pois havia pó por todo lado) sentado ao chão junto comigo, trouxe umas sementes e outros materiais. Colocou alguns dentro de um potinho feito de barro,tinha o formato de uma pequena baciazinha. Então, com um pedaço de pau com a ponta mais grossa, foi quebrando uma a uma e me explicando as cores que saíam de cada uma. Eu sabia, no sonho, que ele estava me ensinando a usar o material para tingir fios. Pelo de ovelhas. Não havia nada ali por perto e estávamos apreensivos, sempre olhando para os lados quando um pequeno ruído surgia. Aprendi tudo com ele, uma semente (esqueci o nome ao acordar), fazia um pequeno sol ao ser esmagada: amarelinho tímido no meio e muito branco ao redor. O anis (ele me disse que era), dava um azul bonito. Outra "pedrinha" (também esqueci o nome), dava um amarelo terroso bonito. Por fim outras duas davam dois tons de marrom, um deles quase preto.
"Assim você vai conseguir ensinar as mulheres de lá!"
O sonho pulou para dentro da U.P. (onde leciono). Ali, eu via um tear feito pelos alunos de Design, e junto com o professor Razera mostrava o que eu havia aprendido. Vi a perfeição do trabalho no tear e fiquei feliz.
Falei para ele do que havia aprendido e ele me mostrou uma grande bola de pelos de ovelha que ele havia colocado na mistura que expliquei. A lã saiu toda colorida, linda.
Então eu disse: as mulheres do Afeganistão ficarão contentes com tudo isto.
O sonho pulou novamente e eu estava em uma sala, com uma mesa grande, vendo todo o material que eu havia conseguido juntar para levar para o Afeganistão.
Estava explicando, para um mulher que me ajudava, que as Bonequeiras sem Fronteiras fariam centenas de bonecas muçulmanas.
Não lembro muito bem do resto do sonho, mas sei que me sentia muito feliz. Querendo voltar para aquele local seco e cheio de pó.

Quando acordei, estava ainda submersa (mesmo no preparo do café na cozinha) nos sonhos. E - não sei porquê - me lembrei de outro que tive com uns dez anos de idade. Este sonho sempre volta na minha memória, pois mexeu muito comigo e como não havia entendido o sonho o contei para minha irmã (ela tinha uns treze) que fez uma leitura tão bela que sempre guardei comigo. São 40 anos entre um e outro. mas pelo jeito os dois ficarão juntos a partir de hoje.
No meu sonho infantil, eu estava dentro de um elevador com várias pessoas. E um ascensorista (hoje em dia eles não existem mais), parava o elevador em cada andar e um ou mais desciam. Não vou me lembrar a ordem exata do sonho. Mas ele parou no primeiro e disse; "Mulheres" (elas desceram). No segundo: "negros" (eles saíram). No terceiro: "judeus". E um homem negro desceu. Eu disse espantada: "ei! Ele disse judeus!" Ao que o negro me olhou e disse: "eu sei! Eu sou judeu!"

Eu era criança e não havia entendido o sonho. Minha irmã (sempre sábia desde pequena), me disse que o sonho mostrava os preconceitos e as divisões que fazemos das pessoas. E que podemos rotular pessoas de forma equivocada. Este sonho e a explicação dada por minha irmã nunca saíram da minha cabeça (ou deveria dizer coração?).

Foi a partir dele que a vontade de ser psicóloga se instalou, logo após da vontade de ser professora (escritora) e artista (fotógrafa).  

Aguardem novidades para breve. Apenas peço que deixem a agenda livre para o dia 04 de setembro. Para assistirem uma palestra importante!

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

FICÇÃO (real?) - Ovelha de Cristo

Um rosnado rouco rasgava raivosamente a névoa de silêncio dentro do ônibus. Uma queixa se arrastava por quadras, naquela quarta-feira.
- Ele disse pra mim: “Cê não ensina seu filho, eu induco ele.” Ignorante!
A amiga ao lado só assentia com a cabeça, sem sequer a olhar.
- Ele antes era carinhoso. Até jogava bola com o piá. Cavalo!
Novo assentir sem olhar.
- Uma amiga até me disse tempos atrás: “Deus me livre um cara desses bater num filho meu”. Mas eu não pude fazer nada, sabe?
- ...
- Ele me empurrou e deu um tapão nele.
- ...
- Agora eu e ele não queremos mais ele.
- ...
- Melhor assim. Ele me disse que quando vê ele na calçada é pra fazê de conta que não vi.
- ...
- Ele que vá bater na mulher dele! Aquele merda!
- ...
Um silêncio de meia quadra dá um descanso aos nossos ouvidos daquela raiva rezingada. A seguir um belo balido nos tira da Babel de pensamentos, baixando como um badalo bonito.
- Daí domingo eu fui para a Igreja e vi aquela mágoa saindo de mim. Só por Deus, sabe?
E a amiga:
- Só por Deus!







(Texto: Susan Blum. Imagens: internet).

segunda-feira, 28 de julho de 2014

REAL - Sabedoria Popular (Ricardo Ramos Filho)


A sabedoria popular sempre me pareceu uma verdade inquestionável. Estão aí os ditados que não nos deixam mentir. Um deles, por exemplo, diz: “Deus ajuda quem cedo madruga”. Mentira! A maior parte do povo acorda muito cedo, trabalha de sol a sol, não tem vida fácil. Não há, evidentemente, ajuda divina. Eles até gostariam de ter uma vida melhor, mas quem disse que “Querer é poder”? Quando o frio chega, e como tem feito frio, não adianta decretar “Deus dá o frio conforme o cobertor”. Muita gente vai dormir tremendo e bate os dentes a noite toda. Sim, é só uma questão de tempo, e “Com o tempo tudo se cura”. Não cura! Muitos morrem pobres, de câncer, sem acesso a tratamento. Choram e ninguém ouve, apesar de sabermos que “Quem não chora não mama”. Choram e não mamam. Pois é, não entendi. Esses ditos parecem coisa daquela elite branca que foi aos estádios na Copa. Conversa para boi dormir. Ou não?(Texto: Ricardo Ramos Filho. Imagens: internet)
Agradeço ao amigo Ricardo pela disposição em ceder o texto.

domingo, 20 de julho de 2014

FICÇÃO - Lã negra

Sacolas cheias de lã negra pendiam de suas mãos cheias de fios enrugados e dedos enosados.
Os jovens vizinhos quase não a viam sair de casa. Ela era quieta e soturna. Bom para eles que, recém-casados, viviam as tertúlias amorosas em todos os instantes possíveis.
Moradora do terceiro andar, eles nunca viam visitantes. A mocinha, já cansada das subidas ao segundo andar admirava a força de vontade da senhorinha que volta e meia subia com sacolas de lãs. Até pensava na possibilidade de - engravidando - pedir roupinhas de bebê.
A vida seguia seu labirinto normal, com altos e baixos, obstáculos e retornos.
Pequenas brigas do jovem casal logo eram resolvidas com enlaces amorosos tal qual duas aranhas na cama.
Teciam birras, para destecerem logo depois.
Pequenos nós de mágoas logo eram cortados com beijinhos e presentinhos.
Um dia um cheiro ruim começou a invadir o apartamento. A jovem insistia para que ele limpasse os encanamentos, os ralos, os banheiros. Mas o cheiro persistia.
Lançavam jatos de perfume antes de sair de casa. Acendiam incensos. Mas nada resolvia. Um dia foram atrás do cheiro e perceberam que vinha do apartamento da senhorinha. Bateram na porta, tocaram a campainha... e nada!
Depois de uma semana, resolveram chamar um chaveiro. Já que nunca a viam, pensaram que ela devia ter viajado e deixado algo estragado na casa. Iam limpar e depois avisar a senhorinha.
Ao abrir a porta o viram: enrugado, enegrecido, carcomido... pendia, nu, do ventilador de teto, tal qual fruta podre.
A única vestimenta: um cachecol de lã negra no pescoço.

Ariadne havia libertado seu Minotauro interior.

(Texto: Susan Blum. Imagem: internet)

sábado, 19 de julho de 2014

REAL - Que chique!

Que chique!  Lacinhos rosados em cada tufo de pelo branco balançam junto com o rebolado da cauda lulupomerânica. Chique. Seu dono também desce do carro chique, com seu terno vinho sommelier e seus preciosos minutos sendo registrados pelo chique Patek Philippe Henry Graves. Passeavam ambos pela praça pequena próxima de minha casa.

Que chique!


Eu observei a cachorrinha chique ficar na posição que qualquer cão guapeca fica quando precisa “purgar”. O objeto que de lá sai também é igual ao de qualquer vira-lata e o cheiro idem. Chique. Muito chique.

O homem chique pega uma sacolinha do bolso (não deu para ver de qual loja chique que era). De forma chique ele catou o “objeto” e deu um laço chique nela.

Foram andando de forma chique até o carrão que apitou sozinho e abriu suas portas para o pulo lépido da chique cachorrinha.

Pensei: “pelo menos ele dá o exemplo e leva o cocô da sua cadela”.

Que chique!

Ele também entra no carro, põe a mão esquerda para fora com a sacolinha pendurada e liga o carro. Seu braço chique, abraçado pelo relógio chique, segurando o cocô de forma chique: com seu minguinho e anelar levantados e os 3 dedos segurando a embalagem na pontinha deles.

Penso: “Nossa! Ele é tão chique que sequer leva a sacola de cocô chique dentro do carro chique.”

Mal ele vira a esquina, vejo-o – de forma chique – deixar a sacola cair na rua, ainda com o dedinho levantado.

É. Ele era chique demais para o meu gosto.

Que chique...........eiro.