novelos soltos, emaranhados, organizados, escondidos, fiapos da vida......

novelos soltos, emaranhados, organizados, escondidos, fiapos da vida......
convido-os a desenrolar alguns fios reais e ficcionais

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

FICÇÃO - O médico e o monstro

Eugenio gostava muito de brincar de médico - profissão que pretendia seguir quando crescesse, junto com a de cientista, pois tinha a intenção de criar a máquina de viagem no tempo.
Na semana anterior brincou muito com seu priminho, de médico.
- Chickabiddy*, tire toda a sua roupa. Vou examinar você. 
E seu priminho menor, 4 anos mais novo, tirava sua roupa.
Mas hoje, Eugenio estava brincando com um boneco. Sua mãe o adorava, pois via muita bondade nele: Eugenio afirmava que adotaria uma criança quando fosse médico.
Acima de sua cama o pôster de 2001 (uma odisseia no espaço) lhe lembrava de seus sonhos científicos.
Mas neste momento ele estava mais ocupado em retirar a roupa do boneco.
Foi então que uma bola de luz forte invadiu seu santuário, materializando em sua frente um homem de barba que, sorrindo de forma meiga, lhe perguntou:
- Eugenio Chipkevitch?
Eugenio, ainda de boca aberta, apenas assentiu com sua cabecinha infantil.
Então o homem lhe disse: - eu sou você no futuro, Chickabiddy.
O menino se iluminou e foi logo perguntando:
- Que legal! E o que eu vou ser no futuro?
O homem foi até a porta, fechou-a com a chave, e com a fala mansa e doce respondeu, se aproximando de Eugenio.

(Texto: Susan Blum. Imagens: internet)  *Chickabiddy é amorzinho em ucraniano.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

REAL - Feliz 2015 a todos

Desta vez nada de reflexões mais longas ou profundas.
Apenas postarei algo que aprendi este ano (desta vez na pele).

Que o ano de 2015 seja frágil como este passarinho (um filhote de quero-quero). Porque assim nós cuidamos dele. caso contrário, se ele viesse forte e pronto, não daríamos tanta atenção. E precisamos, mais que nunca, aprender a cuidar! A ter responsabilidades. E ASSUMIR estas responsabilidades. nada vem por acaso. Tudo é fruto do que pensamos, sentimos e fazemos.
Então pense o seu melhor. Sinta o seu melhor. E faça o seu melhor.
Assim, com certeza, seu 2015 será PERFEITO (dentro do seu melhor).
Que venha o novo ano. Com MUITA LUZ!

(Texto e fotos: Susan Blum)

domingo, 21 de dezembro de 2014

FICÇÃO - No meio do caminho tinha um corpo

No meio do caminho tinha um corpo.
Tinha um corpo no meio do caminho
No meio do caminho tinha um corpo
que todos queriam fazer esquecer.
Desviavam - já de longe - para não ter que ver.
No meio do caminho tinha um corpo
Tinha um corpo no meio do caminho.
Mas a culpa não é minha.
E nem do Raimundo.
Mas do Mundo.
Para que rima Meu Deus, se eu quero solução!

(Texto e foto: Susan Blum)

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

FICÇÃO - HOHOHO




Olhos lambendo a barba branca de algodão. Sorriso com pequena babinha de medo pelo grandalhão. Alma piscando de luzinhas. Ir ao Centro com a mãe e encontrá-lo em algumas lojas era sua maior alegria de Natal.
Seu sonho era ganhar um “certo” presente de Natal. Mas em nenhum ano ganhava o que queria. Mesmo assim amava cada vez mais o Papai Noel. Que delícia poder fazer a alegria das crianças. Dar presentes aos bonzinhos.
Os anos ventavam, alguns anos furacão, outros redemoinho, outros leve brisa.
Adulto, vivia de pequenos trabalhos, fazendo bicos. Casou, descasou, bebeu, deixou de beber. Chegou até a morar nas ruas por uns tempos. Seu rosto foi castigado pelas ventanias. Seus cabelos e barba compridos neblinaram. Morava de favor nos fundos da casa do filho.
Um dia, andando pelo Centro, no final do ano, o dono de uma loja o chamou. Ofereceu um trabalho. Alma piscando, sorriso com baba, presente recebido. Ganhou o que sempre quis. 

(Texto: Susan Blum. Imagens: Norman Rockwell)

sábado, 8 de novembro de 2014

REAL (com ficção) - texto e imagem (foto de Sofia Piantavani)

Por vezes me inspiro rapidamente com imagens de amigos ou textos deles.
Desta vez não foi diferente. Minha amiga Sofia Piantavani tirou esta foto hoje e inseriu um texto que reproduzo aqui:

" - E essa sujeira toda!! Quem é que vai limpar?? 

Assim falava a dona de casa com TOC 

[transtorno obsessivo compulsivo]"

Paço da Liberdade
08/11

 Daí me veio a pronta resposta:
"- E essa beleza toda!!
Quem é que vai mirar?"

"E essas flores todas!!
Quem é que vai chorar?"

"E essas falas tolas!!
Quem é que vai amar?"

FIM
(graças a Deus dirão vocês!)

sábado, 1 de novembro de 2014

FICÇÃO - A BOCA (texto de Magro)



“Tu podes ser senhor do que falas; mas serás um eterno escrevo do que dizes”
(Lao_Tsé)


 A boca, inconsequente e delirante, como era, escancarou-se num berro alto e indevido.

      - Basta!

      Foi um basta, gritado, extraído com dor do fundo do corpo, sem anestesia, sem carinho, deixando vago na alma, seu suposto espaço.
      O grito; o basta, extrapolou a barreira do corpo, ressonou nas paredes próximas, quebrou vidraças e ganhou a liberdade das ruas.
      Sujo de saliva e sangue, misto de onda sonora e corpo vivente, era um basta consistente e concreto.
      A boca, havia sido criada para aquilo, ser o que era, fazer o que vinha há séculos fazendo, quieta, resignada, calada e cordeira. Ele, menino, filho, homem, esposo e pai.
      Trabalho, casa; casa, trabalho.
      Sentiu; homem, dores de parto; nadou em amores renegados, andou descalço em saldos sem fundos, em contas, em desamores, em trabalhos e em casas. Trabalho, casa; casa, trabalho.
      Cérebro metálico, peça quase biomecânica, tão frio e controlado que era, não deixava transparecer nada, a não ser o traço de despreocupação e contentamento, na face externa e diariamente estudada.
      Mas a boca; sempre ela, tentava falar, como um vício difícil de largar, como uma praga daninha que não se aquieta e não desiste de invadir o calmo campo semeado de candura.
      Boca safada, insistente e atrevida, querendo fazer-se pensante, metida à massa cefálica.
      Boca controlada a força, camisa de força feita de nervos e remorsos; temores e preocupações. Contida com esforço em prisão domiciliar.
     Cérebro, atento a tantos outros tentos, tantos outros tortos, tantos outros outros; que se cansa, e como corpo, fraqueja e manca.
      A boca matreira, esperta e louca, aproveita a deixa e berra!
      Manda à merda a terra, a casa, a vida; a fera.
      Abre, se escancara e, como simples fosse, grita:


      - Basta! 


(Texto: Moacir Costa - Magro.  Imagens: Internet)
Gostou? Tem outros textos do Magro aqui no blog:
http://novelosnadaexemplares.blogspot.com.br/2014/04/ficcao-bala-perdida-de-moacir-costa.html

sábado, 18 de outubro de 2014

FICÇÃO - Salvador Dali

Um dos meus pintores favoritos é o surrealista Salvador Dali.

Os meus favoritos de primeiro lugar são La Tour e Van Gogh.


Os meus favoritos de segundo lugar são Escher e Banksy


Os meus favoritos de terceiro lugar são Magritte, Dali e Rockwell.




Mas, continuando, senão vou aos meus favoritos de centésimo lugar :D

Umas brincadeirinhas com Salvador Dali.

Ah. Salvador! Uma dor salva na minha alma daqui. Roda valsa com passos daqui e dali. Rosa alva de poesia. Avi Dollars.


Apenas fios soltos e bobos. Mas com um pouco de amostragem do que gosto.