novelos soltos, emaranhados, organizados, escondidos, fiapos da vida......

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convido-os a desenrolar alguns fios reais e ficcionais

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

REAL - educação ... vem de berço??

     Ser professor é uma escolha (será que é realmente uma escolha??) difícil.
     Nunca foi fácil dar aulas. O salário, o número de alunos, a bagunça e o desrespeito, sempre foram temas de discussão entre docentes. Mas ultimamente parece que o desrespeito, a ignorância e a bagunça têm aumentado muito. Basta ver diversos vídeos no youtube de professores raivosos jogando celulares no chão ou pela janela (isso quando não em cima do próprio dono do aparelho infernal).

     São situações sempre repetitivas que incomodam o professor pois gastam um tempo que poderia (e DEVERIA) ser utilizado na EDUCAÇÃO e na aprendizagem.
     Sempre responder as mesmas perguntas que já foram inseridas em planos de aula (apresentados no primeiro dia de aula e continuamente presentes em portais).
     Dizer que não. NÃO há trabalhinhos extras em final de semestres para "escapar" de provas finais.
     Não. NÃO pode fazer MANUSCRITOS  digitados. Conhecem a expressão manuscritos ? Mão?? Manus??
     Não. Os celulares devem permanecer desligados durante as provas. Escrevo no quadro. Aviso verbalmente e mesmo assim SEMPRE tem um que toca no meio da prova. Pior: o aluno diz que vai desligar e fica olhando a mensagem que recebeu. CLARO que dá vontade de pegar o dito cujo e jogar no chão!
     Sem contar as famosas "pérolas" na escrita.
     Incrível como tem aluno que consegue preencher as oito linhas solicitadas, mas falando várias coisas sem sentido, sem amarração, parafraseando a si mesmo, sem chegar a nenhuma resposta! Falar "bonito" mas sem conteúdo. Especialidade dos alunos atuais.
     Pensar?? e a preguiça? muito mais fácil copiar. (Sobre isso eu já citei algo no post Plágio, aqui no blog).

     Parece que o professor hoje em dia tem que aguentar desrespeitos, deve ser pai e mãe, amigo e mestre - (tudo ao mesmo tempo). Saber impor limites e ao mesmo tempo compreender problemas. O professor tem que ser psicólogo, cientista, ator, dar show, ter didática, ter conhecimento PROFUNDO de tudo...
     Se o aluno não passa, a culpa é do professor... se a turma é aprovada em peso, o professor é mole. Sobre isso gosto de citar o blog de Adonai Sant´Anna, post sobre aprovação e reprovação de alunos.
     Uma vez um aluno (aula da manhã) entrou bêbado na sala. Eu não permiti a entrada dele. Ele veio tentar me abraçar dizendo que sou como uma mãe para eles. Fui rápida: "sou PROFESSORA de vocês. Não sou mãe de ninguém." Dia seguinte ele veio se desculpar.
     Não consigo compreender o porquê dos alunos aparecerem em sala de aula com bebidas, cigarros, maconha - muitos respondem a chamada e ficam lá fora. E, claro, são sempre estes que depois ficam para final comigo ou até reprovam. Pois como vão aprender algo se não estão presentes? 
     Pior: dou aula de língua portuguesa. Muitos (não é exagero) não sabem escrever corretamente (a palavra exceção aparece de variadas formas). A maioria (de novo, não é exagero) não sabe escrever amarrando as ideias. São analfabetos funcionais. São poucos os que escrevem bem, que se expressam, que conseguem transmitir as ideias (próprias) com concatenação, coesão e coerência.
     O que podemos fazer com estes alunos? Pergunto: a educação vem de berço? Podemos mudar algo? Creio que sim. Mas não com brandura e aceitação. Devemos ser duros, rígidos, cobrar seriedade. Cobrar responsabilidade. Porque passar a mão na cabeça os pais já fazem muito.
     Basta ver situações em que meus alunos universitários não conversam e ARGUMENTAM comigo. Mas os pais aparecem para tentar me convencer a anular faltas (quando reprovam por falta) ou aumentar a nota. Que pais são esses? Se eu fosse mãe, teria vergonha de fazer isso. Daria uma bela lição em meu filho e deixaria ele reprovado! 
     Mas, claro, sempre há exceções. Também tenho (tive) alunos ótimos. Poucos. Mas alguns!
(foto by Susan Blum - dia de prova na UP) 
Quer se aprofundar no assunto ou saber mais sobre este problema, de maneira diferenciada?
Veja o blog de Adonai: Histórias que posso contar.

3 comentários:

  1. NOVO OLHAR SOBRE A MATEMÁTICA,
    http://www.ufpa.br/beiradorio/novo/index.php/leia-tambem/124-edicao-93--abril/1189-novo-olhar-sobre-a-matematica

    Quem quiser material, fazer capacitação, etc, é gratuito, peça: jbn@ufpa.br

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  2. Oi, Susan, tudo bem com você?

    Há muitos anos quando ingressei como professor na rede estadual de ensino, custou-me a entender a situação de alunos com problemas de analfabetismo funcional, a maioria por desinteresse que querem apenas o diploma, fato esse admitido por alguns deles e o considerei como uma das causas principais.

    E quanto à chamada, eu a faço nos 5 minutos finais de cada tempo, pois assim eles não ficam passeando pelos corredores da escola, rs. E tem aqueles que sempre inventam desculpas para não estarem presentes e quando calculam que precisam de 11 ou 12 pontos na minha disciplina, agem como vítima, ajoelham, fico até com pena, mas eu reprovo.

    Gostei muito do seu blog e vou continuar lendo seus textos.
    Um abraço!

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  3. Olá Marcos. Que bom que gostou do blog. Então... os alunos sempre tentam dar um jeito, não? Já cheguei a escutar (e ele estava falando sério) um aluno dizendo que fazia faculdade só por causa da cela especial... ou seja, a mente já é criminosa e pensa no conforto para si!
    Sobre chamadas: geralmente faço uma ao início e outra ao final. Uma vez fiz uma experiência com quatro turmas do sexto período (achei que eram mais maduros): não faria mais chamada, mas se visse que o número de alunos fosse mínimo, voltaria a fazer chamada. No começo funcionou, mas tinha dias em que só dois ou três apareciam. Claro que o índice de alunos reprovados aumentou!
    Sobre nota: se vejo que é um aluno esforçado, que comparece, que participa, até dou alguns décimos (mesmo porque minhas avaliações são 90% dissertativas e corrigir textos assim de forma totalmente coerente é um pouco difícil).
    Por fim, não cometa o mesmo erro que muitos professores: alguns facilitam a linguagem e dão dversos exemplos. O ensino deve ser sério e com nível superior. Facilitando, permitimos que os alunos se acomodem e parem de tentar o raciocínio próprio!
    Um abraço e comente sempre!

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