novelos soltos, emaranhados, organizados, escondidos, fiapos da vida......

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convido-os a desenrolar alguns fios reais e ficcionais

domingo, 16 de abril de 2017

FICÇÃO - Páscoa 2017 - Bandido bom é bandido morto.



“Para todas as Dandaras do mundo. E que jogue a primeira pedra quem for cínico”



O governante até tentou salvar aquele bandido, fazendo com que a gente escolhesse entre ele e outro (um assassino). Mas nós não somos burros e sabemos que bandido bom é bandido morto!

Escolhemos então aquele que tinha o pecado de se achar o filho do dono do mundo.

Onde já se viu? Um absurdo. Só podia ser um lunático que queria mandar na gente através de nossas crenças, de nossa fé.

Nanananinão. Escolhemos ele. Ele deveria morrer. De preferência morrer na cruz. Torturado. Este é o ideal. A gente deve torturar muito antes de matar.

Soltamos Barrabás e deixamos à mercê dos soldados malvados o filho do dono do mundo.

Que ele sofra bastante nas mãos de nossos vingadores. Apoio soldados que batem em bandido. Que matam o bandido. Tenho minhas mãos limpas...

Mas agora eu preciso ir. Preciso comemorar a Páscoa, ganhar meus ovos de chocolate.

(Dedico este texto a todos os "cristãos" que comemoram a Páscoa indo na Igreja e que passam os outros dias do ano condenando as pessoas)



quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

FICÇÃO - Repetição

Ah. Que ministro esperto! Ah. Que detetive esperto.

Um dos contos que mais me fascinaram quando adolescente foi a Carta Roubada, de Poe.

Não sei porque me lembrei dela agora, enquanto tomo mais um café delicioso no De Lucca.

Observo as pessoas ao redor. Duas mulheres que conversam sobre literatura estão na mesa do canto. Parecem espertas, pois comentam de vários autores que leram, mas também me parecem ingênuas quando percebo que trocam livros de suas autorias. Uma troca de egos repetida provavelmente diversas vezes.

Na outra mesa um homem solitário como eu finge tomar seu café enquanto ouve com atenção a conversa das duas, mexendo em seu celular o tempo todo.

Quando percebo que as duas estão se levantando para pagar, me adianto e passo pelo caixa sorrindo e agradecendo em voz alta pelo excelente café. Eles me agradecem também e nos despedimos sorrindo.

Vão atender as duas mulheres que pagam agora e só mais tarde é que vão perceber.



E farei isso de novo em outro café.