novelos soltos, emaranhados, organizados, escondidos, fiapos da vida......

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convido-os a desenrolar alguns fios reais e ficcionais

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

REAL - Reflexão sobre o amor e as loucuras que fazemos por ele.

Esta discussão sobre o amor e loucura está muito em voga hoje em dia.

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Então, vou entrar na reflexão do tema.

Quando jovem sempre ouvia dizer que os opostos se atraem... e é verdade. Mas atração não significa soma. Algumas analogias bobas: água e pedra são opostos e até podem ser colocados juntos (e ficam lindos), mas não se misturam. Água e terra são opostos, mas se misturam e até podem florescer sementes.
Como professora escuto algumas alunas que conversam comigo e demonstram estar em relacionamentos abusivos. Geralmente apenas percebem quando mostro os fatos.
Fazer loucura por amor não significa poder machucar a outra pessoa (seja fisicamente, moralmente, emocionalmente ou psicologicamente).
Mas isso será assunto para outra reflexão. Quero aqui focar nas "loucuras" de amor.
Quais loucuras são sadias e quais são prejudiciais?
Vamos a alguns exemplos:
Fazer surpresas para quem você ama, como comprar muitas flores, aparecer de surpresa com algum doce favorito del@, comprar passagens para visitar outro país, colocar alguma joia dentro de flores ou bebidas, e assim por diante. São loucuras saudáveis.


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MAS, deixar de fazer coisas de que você sempre adorou fazer, como sair com amigos, fazer algum curso, vestir determinada roupa ou, pior, passar por cima de sua ética e valores, pelo outro.
Um exemplo clássico atual é o da novela que mostra a Bibi perigosa dizendo que tudo que fez foi por amor. 
Cuidado, pois quando você "cega" a sua ética a fim de "apoiar" seu parceiro, está na verdade prejudicando, não somente ele (que poderia mudar com seu apoio) mas também você.
Pense bem sobre o que é amar!
Segundo a lenda, o amor é cego (quer conhecer a história? Clique na palavra LOUCURA).
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Ou seja, a loucura cegou o amor e se colocou à disposição para acompanhar ele. Mas escolha as loucuras certas!
Eu acredito que devemos ajudar as pessoas a serem melhores, mas este processo não deve ser imposto.
Devemos apoiar quem quer mudar para melhor. Como parar de fumar, beber menos, estudar. Mas não exigir que o outro pare de fumar e beber ou que estude mais.
Faça boas loucuras como dar sucos de presente para quem bebe muito álcool. Ou passear para distrair quem quer parar de fumar.

(Texto: Susan Blum. Imagens: internet) 


REAL - Saudade

Esta mensagem é antiga, mas lembrei dela porque hoje (20/10/2017) minha sobrinha voltou para a Austrália, depois de uns dias conosco.
A imagem pode conter: texto

Acabei de lembrar da minha sobrinha linda, que mora na Austrália... e senti o coração tão apertadinho, mas tão apertadinho... que finalmente entendi!
O coração fica apertado de saudades porque as lembranças e o amor que a gente sente é tão grande, mas tão grande que vai preenchendo cada espaçozinho do coração... daí a sensação de aperto.
E este amor é tão GRANDE, mas tão GRANDE que acaba transbordando em lágrimas.
Flavia Senter, eu te amo muito!


E a saudade continua. 

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

FICÇÃO - Família

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Início de noite de sábado. Na frente da televisão, o pai e a mãe – cada um no seu extremo do sofá, observam os filhos no tapete – cada um no seu celular. A avó, instalada na poltrona dura e seca, está atenta à novela. Seus olhinhos não perdiam a história de amor dos protagonistas. Inclina-se para agarrar com os ouvidos o enredo amoroso que só existe naquela tela.
De repente seus ouvidos captam outra narrativa, palavras vão se encaixando no quebra-cabeça familiar. Praia. Domingo. Viagem. Na rapidez que sua idade permite, volta-se para esta nova história que está se formando na sua frente. Os sorrisos das crianças, os olhos brilhantes do casal, a correria para separar tudo de que vão precisar para o domingo na praia: toalhas, protetores, roupas de banho, chinelos, bola, água, biscoitos... tudo devidamente ensacado em sacolas plásticas. A velha resolve abrir a boca para perguntar que horas sairiam, mas as portas dos quartos estão se fechando, pois desejam sair cedo e foram todos dormir. A velha ficou na sala, com a TV desligada por eles, e a luz acesa lhe fazendo companhia.
Ela, extasiada com este passeio inesperado, tenta lembrar qual foi a última vez que foi passear na praia. Levanta-se da poltrona tal qual tartaruga, feliz pela possibilidade. Vai arrumar um vestidinho leve, suas chinelas, separa os remédios – companheiros constantes – o protetor solar (tão necessário depois de um câncer de pele), sua toalha puída. Faz sua toilete e vai deitar para acordar cedo.
Na ansiedade com o passeio tão desejado acaba não conseguindo dormir. São recordações de quando levava os filhos para a praia, sua filha (agora mãe de seus netos) vivia pedindo para ir à praia, para pular ondas (quantas vezes ficava com ela no mar), para comer milho verde (a boca da velha se enche de água com desejos), para passear à beira-mar. Quando vê, já são cinco horas da manhã, resolve se arrumar, pois não quer atrasar ninguém para o passeio. Não quer atrapalhar a família. Mais um tempo para conseguir colocar sua roupa, calçar os sapatos, se ajeitar. Pronto. Está prontinha. Então resolve preparar o café da manhã para todos, para que possam sair cedo. Está terminando de arrumar a mesa com os pães, leite, café, tudo fresquinho; quando escuta o som de um despertador e a mulher gritando que está tarde. Acordando todos com pressa. Vão levantando e se arrumando. Olham para a mesa posta e se alimentam rapidamente.  Já levando para o carro todas as coisas. A velha observa tudo com um sorriso no rosto. Pega seu chapeuzinho de palha e vai em direção ao carro com sua sacolinha de supermercado. Todos estão no carro e dão partida. Ela ainda fala da porta.
_Me esperem!
E eles, surpresos ao perceber as intenções da velha:

- Não, vó. Você vai atrasar a gente. Tchau.

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p.s. Infelizmente não encontrei mais o conto. Lembro de ter lido quando adolescente e que marcou demais a minha existência. Então, como não encontro, resolvi escrever do meu jeito. Caso achem a autoria, ou o autor descubra, peço desculpas e que me informe (para que eu possa linkar com o conto original). [Texto: Susan Blum (recordações de uma leitura). Imagens: internet]

domingo, 23 de julho de 2017

Saudades da Infância

Eu não tenho Saldade

Eu tenho Docedade.

(Texto: Susan Blum. Foto: minha irmã e eu na praia. 
Apenas consigo lembrar que estava sentindo frio.)


quinta-feira, 13 de julho de 2017

FICÇÃO - Terror Noturno


A escuridão não constitui a causa do perigo,
Mas é o habitat natural da incerteza – e, portanto, do medo.”
(Bauman in Medo Líquido)

- MÃÃEEE!!!

A mãe abre a porta, assustada e vê seu filho aterrorizado, envolto nos cobertores, chorando.

-Mããee, tem um monstro aqui no quarto! Deixa eu dormir com você?

Suspiro aliviado e voz um pouco zangada:

- Não, filho. Você tem que dormir sozinho!

- Ah, mããee. Deixa então a luz acesa!

- Era só o que me faltava! Você já é um homenzinho! Tem sete anos! Vá dormir!

Apaga a luz e ainda ouve uma última súplica:

- Deixa então a porta meio aberta, mããee...

- OK. Só por hoje! 

Noite seguinte. Novo choro. O filho mostra hematomas no corpo e diz que o monstro bateu nele.  A mãe achou estranho, mas como olhou o quarto inteiro e não achou nada, desconfiou que os hematomas foram feitos durante o dia e que seu filho agora usou o monstro como desculpa.

- Vai dormir! 

Terceira noite. O choro, de novo. O filho mostra tufos de seu cabelo entre seus dedinhos, chorando porque o monstro puxou seus cabelos. 
A mãe estranha. Observa de novo todo o quarto. Tranca de novo as janelas. E resolve deixar uma luzinha pequena próxima da cama.
Por fim, no meio da madrugada, o filho chora alto e a mãe corre para abrir o quarto de supetão.
E o filho, assustado com a entrada intempestiva da mãe, mostra seus bracinhos ensanguentados e pergunta para a mãe com voz chorosa:

- Você viu o monstro, mamãezinha?

Ao que a mãe, recuando de costas até a porta, sem tirar os olhos do filho, responde:

- Sim, filhinho amado, desta vez eu vi.


(Agradeço ao amigo Ícaro, que sempre lê e comenta meus textos)

sábado, 8 de julho de 2017

FICÇÃO - Comida também

Todos os dias era a mesma coisa. Eu cozinhava com ódio – pois odiava cozinhar - e pedia à minha filha que levasse para a avó, que morava longe, e que ela fosse a pé (assim demoraria mais).

Até dizia que ela podia se distrair com qualquer coisa no caminho. Que brincasse com as borboletas, com os esquilos, com os lobos da floresta.

E todo dia, quando a minha filha saía, eu sentia um alívio, corria para tomar banho e me arrumar, enquanto deixava a porta dos fundos aberta.


Para o caçador.
Imagem relacionada

domingo, 25 de junho de 2017

FICÇÃO - Comida.

Todos os dias acabava escutando a mesma coisa. A mãe pedindo, primeiro com doçura, e depois com impaciência, que a filha levasse comida e remédios para a avó. Se a avó morasse em outro bairro mais distante, eu até entenderia. Mas a avó morava ali mesmo, mesma casa, quartinho dos fundos. Todos os dias acabava escutando a mesma coisa. A filha/neta primeiro se fazia de surda, depois obedecia resmungando.

Isso foi cansando meus ouvidos sensíveis. Primeiro, sensíveis aos gritos, depois à indiferença da filha/neta. Sendo vizinho, isso me incomodava todos os dias. Um dia, decidi resolver aquela situação. Doía meu coração acompanhar tudo aquilo. Pulei o muro, fui até o quartinho da avó, dei a ela os remédios. 


Em uma dose capaz de matar até mesmo um elefante: livrei-a daquele suplício de sobreviver de forma tão indigna. Depois, fiquei esperando a neta, ali mesmo, deitado na cama da avó. Quando ela chegou, levantei de um pulo, a puxei para baixo das cobertas. Ensinei-lhe a sobre a importância de se atender bem ao próximo.

(Texto: Susan Blum.  Foto: internet)