novelos soltos, emaranhados, organizados, escondidos, fiapos da vida......

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convido-os a desenrolar alguns fios reais e ficcionais

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

FICÇÃO - IMPOSTORES


Acordou. Olhou para o lado e viu um homem igual a seu marido, mas que não era seu marido.


Levantou bem devagar para não acordá-lo e foi para a cozinha chamar a polícia. Os filhos a ouviram e levantaram também. Assim que entraram na cozinha ela deu um grito e pegou a faca, os ameaçando caso se aproximassem dela.


A polícia chegou quando ela ameaçava o marido e os filhos, gritando que os queria de volta. Que era para eles devolverem à ela sua família.


Conseguiram desarmá-la e uma ambulância veio para sedá-la e levá-la ao hospital.


Lá, o médico a examinou e disse que estava com Síndrome de Capgras, ou seja, quando as capacidades conscientes de reconhecimento operam corretamente mas há um dano na sua habilidade emocional de reconhecer pessoas. Assim ela tem a sensação de reconhecer seus parentes, mas acha que “algo não está certo”, que está “faltando alguma coisa”. A mulher reconhecia os traços físicos e psicológicos do marido e dos filhos, mas afirmava que eram impostores! Não era o parente, mas uma cópia, um sósia.


Depois de dias de tratamento, ela continuava dizendo a todos que aquele não era seu marido, aqueles não eram seus filhos. Que foram substituídos por algo ou alguém. Foi levada para casa.


No quarto, deitada e sedada, adormeceu.


Na sala, o marido e os filhos sussurravam junto com o médico, retirando as suas peles: “temos que convencer a todos de que ela está com a Síndrome de Capgras”.


6 comentários:

  1. tem om conto no meu livo que é isso aí: a mulher acorda e encontra um estranho na cama. :)

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  2. que legal Marpi... esse conto é antigo, fiz há dois anos! E meu livro de contos sairá logo, logo!!!

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  3. quando sair seu livro; me avisa. abraços.

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  4. a manipulação consciente da manipulação inconsciente !!!!

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  5. A situação da mulher transportou-me, instantaneamente, a "O bebê de Rosemary", especialmente à cena em que a protagonista do filme visita o obstetra. Angustiante.

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  6. puxa Cesar... fiquei feliz em saber disso... é bom ver que a literatura traz outras sensações vividas anteriormente. Obrigada!

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