novelos soltos, emaranhados, organizados, escondidos, fiapos da vida......

novelos soltos, emaranhados, organizados, escondidos, fiapos da vida......
convido-os a desenrolar alguns fios reais e ficcionais

domingo, 26 de julho de 2015

FICÇÃO - Suspense - um conto de mistério e horror.




(Luiz Veríssimo: dedico!)

Noite. Escuro imenso que engole o sonho soturno. Num vislumbre feito corisco de luz, veio o senso de que existe um negócio impreciso. Um rombo no texto, um certo quê de imprudente. Um grito progride em um certo recinto subtérreo do meu espírito. Um treco tremeluz no indefinido sentido oculto. Durmo refletindo no que sinto submisso, oculto, suprimido. Um felino mexe no meu olho e suprime o meu sono. Desperto irrequieto, sentindo medo de ser incompetente de perceber o que é. De novo reflito, penso, investigo, decomponho... o que é? O que é? (Never more)                                 
Que terrível! Que horror! Sem sono, releio o meu texto e percebo, por fim, com entendimento. Descobri! Por fim! LUZ!  Resolvido o mistério! Terminou o suspense.

Por esquecimento - ou possivelmente de propósito?-  Descobri que no meu texto inexiste o.... AAAHHH!


(Texto: Susan Blum. Fotos: internet)

REAL - Fadas existem!

Quem me conhece sabe que gosto de caminhar e que não concordo com mais carros na rua. Hoje não foi diferente, 
2,8 Km para ir e uns 3,2 Km para voltar (isso porque fui pelo caminho mais curto e reto e voltei passeando por ruas desconhecidas). Pois bem. no meio do caminho achei duas folhas bem enroladinhas e achei tão bonitinhas que as peguei para levar para casa. 
Minha surpresa foi quando... espere. Melhor contar nas fotos.

 Quando cheguei em casa vi que a folha não estava mais 
TÃO enroladinha 
e que havia algo dentro dela..
... a mesma coisa com a segunda folha...




... fui delicadamente abrindo a follha e percebi que tinha mesmo algo dentro...  




 

... na segunda folha também...


... abri mais e vi que se mexia devagar como se estivesse nascendo naquele momento..


 

.. sim... estavam nascendo... 

com as asinhas molhadas ainda...

... tirei de dentro da folha.. um mais adormecido...

 
... o outro me pedindo silêncio, como se não quisesse 
acordar o irmãozinho...


... os dois voaram até minha guirlanda de carvalho e lá se instalaram...




 ... feito posseiros do meu coração.




 (Texto e fotos: Susan Blum. Dedico à minha amiga Suzi que me trouxe encantamento no dia de hoje)

FICÇÃO - Um dia bruxal

Toda vez que chega em casa é a mesma coisa:
as gatas vêm correndo para conversar com a Vassoura Freya sobre como foi o dia da companheira delas.

Já a companheira observa as 3 conversando, com suas sombras. Por elas se percebe que Freya no fundo é um poste de luz antigo. Já as sete vidas das gatas brincam com pássaros imaginários e com flores do vale dos desejos. As sombras têm uma vida própria e lúdica.

Os pios dos pássaros acalentam o cansaço do voo de Freya.
A companheira absorve a cena doméstica rotineira enquanto prepara uma leve poção no caldeirão de ferro.
Morgana e Miucha brincam com Freya e com suas sete vidas.
É um final de dia calmo, doce, amigo e radiante.

Logo virá a noite e todas poderão dar uma volta pela Curitiba adormecida, acariciando as estrelas e até dando uma passeada pela Lua.
Pois logo virá o Sol para mais um dia de feitiços, magias e brincadeiras.

(Texto e fotos: Susan Blum)

FICÇÃO - (curtas) Esquizofrenia e TAA

- Estou tratando de meu distúrbio de percepção distorcida da realidade com um novo recurso terapêutico.
Trata-se de uma terapia assistida com animais.
Faço passeio semanais com um bichinho dócil.

- Que maravilha! E que bicho é? Cachorro?

- Não. Eu cavalgo nele duas vezes por semana.

- Ah! É um cavalo?

- Não. Um dragão.




segunda-feira, 20 de julho de 2015

FICÇÃO - Brincadeiras Literárias


Ao ler a mensagem do manuscrito encontrado numa garrafa sentiu até náuseas. Era como se um muro lhe estrangulasse a vista. Uma odisseia iniciou o processo para a terra desolada.

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Dorian passou uma temporada no Inferno porque tinha um coração das trevas. Ele até tentou uma reparação, levando comida para os miseráveis do cortiço. Mas como era avarento, a comida estava com data vencida. Uma verdadeira Comédia Humana!

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Iracema ia se casar com Fausto, mas descobriu que ele vendeu a alma ao demônio. Como ela descobriu isso? Assim falou Zaratustra. Segundo ele, foi em "on the road" que isso aconteceu. Segundo Zaratustra Fausto se achava um super-homem. Mas era o Demônio.

Fausto disse à Iracema que por ela passaria pela metamorfose. Mas ela, por crime e castigo, lhe condenou à 100 anos de solidão.

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Os Capitães de Areia estavam sempre em guerra e paz, mas um dia uma Senhora apareceu e os levou à Terra do Nunca.



Gostou? Outro dia faço mais! Enquanto isso tente achar os títulos dos livros.

domingo, 19 de julho de 2015

REAL- Silêncio........... sagrado

Peço um minuto de silêncio.


Ficou? Não? Então PARE de ler e FAÇA UM minuto de silêncio.




PRONTO? Sério? Caso contrário não entenderá o que digo adiante...

Caso tenha feito, creio que compreenderá melhor o que quero dizer:

O silêncio não é ausência de sons. É a presença dos sons da alma.

É uma libélula transparente que pousa em nossos lábios para fazer voar nossos sentimentos.


É uma pena que cala nossos pensamentos para aveludar nossas dores.


É uma barra de ferro que prende palavras amorosas ou odiosas.


É um dom, uma maldição. É respeito, é maldade.


É uma chave que guarda segredos. 

É um pote lambuzado de dor.
É um cisco no coração.
É uma pena acariciando a alma.
É a certeza vidrificada.
Transparência no escuro.
É veneno, é salvação.

Não tinha percebido isso, né?

Então faça mais um minuto de silêncio e perceba a sinfonia interior que escorrega pelos tímpanos e banha o cérebro.
O coração acompanha com seu tambor celta.
Os ouvidos com seus zumbidos-violinos.
A barriga com seus roncos.
Silêncio. Sagrado. Tão raro hoje em dia.
Suspire. Abra os olhos.
Conseguimos!
Demos um susto no barulho... 

Para fechar o texto, insiro o poema "O Fotógrafo" de Manoel de Barros como pequena homenagem a ele. E uma breve explicação de onde surgiu o minuto de silêncio (uma homenagem portuguesa a um ilustre brasileiro).


O  Fotógrafo
Difícil fotografar o silêncio.
Entretanto tentei. Eu conto:
Madrugada a minha aldeia estava morta.
Não se ouvia um barulho, ninguém passava entre as casas.
Eu estava saindo de uma festa.
Eram quase quatro da manhã.
Ia o Silêncio pela rua carregando um bêbado.
Preparei minha máquina.
O silêncio era um carregador?
Fotografei esse carregador.
Tive outras visões naquela madrugada.
Preparei minha máquina de novo.
Tinha um perfume de jasmim num beiral de um sobrado.
Fotografei o perfume.
Vi uma lesma pregada mais na existência do que na pedra.
Fotografei a existência dela.
Vi ainda azul-perdão no olho de um mendigo.
Fotografei o perdão.
Vi um paisagem velha a desabar sobre uma casa.
Fotografei o sobre.
Foi difícil fotografar o sobre.
Por fim cheguei a Nuvem de calça.
Representou pra mim que ela andava na aldeia de braços com Maiakovski – seu criador.
Fotografei a Nuvem de calça e o poeta.
Ninguém outro poeta no mundo faria uma roupa mais justa para cobrir sua noiva.
A foto saiu legal.

Dizem que o minuto de silêncio surgiu em Portugal, devido ao enorme respeito que os lusitanos tinham pelo nosso Barão do Rio Branco. Fizeram então dez minutos de silêncio pelo falecimento dele. Depois isso virou hábito para toda pessoa ilustre que morresse. Mas o tempo era grande e passaram para cinco minutos. Mais tarde (tempo é dinheiro) ficou como um minuto de silêncio. Reconhecido internacionalmente.

sábado, 20 de junho de 2015

REAL - A Cura pela Literatura

Quando criança um de meus refúgios favoritos era a biblioteca de meu pai. Só de olhar para aqueles diversos livros, que ocupavam uma parede do escritório dele, eu já  ficava um pouco mais feliz. Depois fui fazer faculdade de Psicologia e mais tarde de Letras.
Sempre acreditei que de alguma forma os livros poderiam "salvar" uma pessoa, mas não conseguia fazer a devida relação. Mesmo quando assisti à deliciosa palestra da literaturaterapia. Também escrevi sobre este tema na crônica Vai um comprimido de Felicidade Clandestina ?
Eu brincava, na época da faculdade de Letras, que um dia descobririam a cura do câncer por algum livro clássico. Mas claro que já achava (na época da faculdade) que a literatura tinha um potencial catártico, resolvendo (ou ajudando a) certos problemas psicológicos.
Bom, graças ao fato de ter derrubado meu celular em água e ter que ir levar para o técnico, entrei nas livrarias Curitiba e encontrei um livro que me ajudou a linkar certas ideias e conceitos que eu já meditava.
Então jogo aqui algumas ideias soltas que serão amarradas em breve em um artigo.
O livro se chama "Arte como terapia" e foi escrito por Alain Botton e John Armstrong. 
Nele os autores colocam a arte como um instrumento e que são sete as funções da arte:
1. rememoração
2. esperança
3. sofrimento
4. reequilíbrio
5. compreensão de si
6. crescimento
7. apreciação

Também mostram que a arte pode nos trazer
a. Leitura técnica
b. Leitura política
c. Leitura histórica
d. Leitura do caráter contestador
e. Leitura terapêutica

Não vou me ater a nenhum dos temas, mas preciso fazer pequenas pinceladas junto com as minhas ideias e análises de algumas obras.

Vejamos: quando os autores comentam sobre a Esperança, eles dizem que a categoria de arte que mais goza de popularidade é a alegre, agradável e graciosa. Eles acreditam que a maior parte do tempo sofremos de excesso de melancolia. Que temos grande consciência dos problemas e das injustiças do mundo, mas que nos sentimos fracos e pequenos diante deles.
Assim, estas pinturas nos trazem alegrias e esperança. Para eles, o otimismo é importante porque precisamos instilar ele nas tarefas.
Eles acreditam que se o mundo fosse um lugar melhor, talvez nos sentíssemos menos comovidos e tivéssemos menos necessidade de obras graciosas.
Agora abro um parênteses em relação à psicologia e à pintura. Na época do meu mestrado eu tive aulas maravilhosas com o professor Paulo Soethe. Nelas ele mostrava uma obra de Caspar David Friedrich.

Nela, vemos um homem de costas para o espectador. Admirando (junto com a gente) a bela paisagem que se descortina montanha abaixo. Este espaço imenso, com possibilidades é um contraponto às situações pelas quais passamos e que estão intimamente relacionadas ao espaço: depressão, angústia, ansiedade.
Já escrevi sobre isso em minha dissertação Abrindo as portas... mas retomo aqui a etimologia destas expressões.

Ansiedade - (latim) anxia ideia de aperto, aflição 
Angústia - (latim) angere apertar, estreitar, redução de espaço
Solidão - (latim) solus, solitas – atis isolado, desacompanhado
Depressão - é um termo que vem do latim de (baixar) e premere (pressionar), isto é, deprimere, que literalmente significa "pressão baixa".

Assim, o espaço está intimamente relacionado a estes fatores psicológicos. Neste sentido considero que as obras de arte, que trazem um espaço natural amplo, permitem que o espectador "respire", que tenha espaço para sentir a Natureza de forma não sufocante.
Assim, a arte é realmente uma terapia. E creio que poderia ser feito um estudo sério com dados empíricos. Mostrando obras de arte para um número de pessoas e verificando os dados de interesse delas em tal ou qual obra. Terapeutas poderiam analisar o interesse por obras mais amplas, ou organizadas, ou fechadas, ou "loucas", etc... promovendo um estudo mais acadêmico sobre este assunto.
Pretendo me aprofundar neste tema no futuro, pois sempre vi a literatura e a arte como facilitadores de "cura". 

Afinal, a arte (seja literatura, pintura ou fotografia), nos permite voar!

(Texto "jogado" e fotos: Susan Blum. Pintura: Caspar)